Amsterdã: criando um roteiro econômico
Amsterdã é a cidade dos sonhos de muitos viajantes. E é fácil entender o porquê. A cidade parece ter saído de um conto de fadas. Ao mesmo tempo…
Tem países que você visita e sente que já sabia o que esperar. A Geórgia não é um deles.
Em poucas semanas, fomos de uma cidade que parece ter parado no tempo para trilhas de tirar o fôlego no Cáucaso, de vilarejos medievais isolados para uma orla que lembra Dubai, e terminamos numa capital onde igrejas milenares dividem quarteirão com bares de rooftop.
Se você acha que já viu de tudo em uma viagem, a Geórgia tem o hábito de provar o contrário.

E o melhor: para nós, brasileiros, é simples chegar lá. Não é preciso visto, só passaporte em dia (vale sempre confirmar antes de comprar a passagem, já que essas regras podem mudar).
Localizada entre a Europa e a Ásia, no Cáucaso, a Geórgia faz fronteira com Rússia, Turquia, Armênia e Azerbaijão — e carrega um título e tanto: é considerada o berço do vinho, com uma tradição de mais de 8 mil anos.
Este post é o roteiro real que fizemos, região por região, com o que vale a pena fazer, onde ficamos e de quebra alguns custos.
Kutaisi não tenta ser bonitinha para o Instagram. É uma das cidades mais antigas do país, mas o que mais chamou nossa atenção não foi nenhum monumento — foi a sensação de estar numa cidade que segue seu ritmo normal, longe do circuito turístico mais óbvio.

Ficamos seis dias hospedados no Dingo Hostel, que virou quase uma segunda casa: recepção impecável, opções de quarto privativo, compartilhado e até barraca, jantares típicos organizados pela equipe e passeios fechados direto com eles — o que facilitou (e barateou) boa parte da logística.


A uma hora dali fica o Cânion de Martvili, puro cenário de filme — cachoeiras, rios, natureza densa. Fizemos com o Dingo Hostel por 180 lari, e valeu cada lari.


E se você curte lugares com uma pegada mais estranha e atmosférica: os sanatórios abandonados de Tskaltubo (80 lari, também com o Dingo).
Na era soviética, esses complexos recebiam pessoas para tratamentos termais — praticamente hotéis de luxo da época. Hoje, abandonados, têm um clima que mistura nostalgia e filme pós-apocalíptico.


Saindo de Kutaisi, pegamos uma marchutka (as vans compartilhadas que são o transporte principal do país) e seguimos 6 horas, por 40 lari, rumo a Mestia — porta de entrada de Svaneti, uma das regiões mais remotas da Geórgia. É aqui que a paisagem muda de vez.

Seis dias numa cidade a 1.500 m de altitude, cercada pelas torres Svans — construções que as famílias ergueram ao longo dos séculos para se proteger em uma região historicamente marcada por conflitos internos. Hoje elas convivem, sem cerimônia, ao lado de casas, carros e restaurantes.

Ficamos no Hotel Posta Mestia, nota 10 sem ressalvas: conforto, piscina aquecida, café da manhã incluído e uma vista que por si só já justificava a estadia.



Mais 40 km de van compartilhada (40 lari) e chegamos a Ushguli, considerado o povoado habitado mais remoto do continente europeu — cerca de 3.000 habitantes e um clima que parece medieval de verdade.
Não é um lugar pensado para turista. É um lugar onde a vida simplesmente continua — e talvez seja exatamente isso que o torna tão especial.

Ficamos dois dias na pousada familiar Gamardjoba, com aquele clima de casa de avó que, aliás, é a marca registrada de praticamente todo café e restaurante do vilarejo.
Entre trekkings, passeios a cavalo e a visita à Igreja de Lamaria, é fácil perder a noção do tempo por ali.

Depois de Ushguli, voltamos a Mestia e seguimos mais 6 horas de van (cerca de 70 lari) até uma das trocas de cenário mais radicais da viagem inteira: em poucas horas, saímos de um dos cantos mais isolados da Europa para Batumi, uma cidade litorânea moderna às margens do Mar Negro.

Praias de pedra, prédios altos, vida noturna agitada e baladas em rooftop — Batumi é quase o oposto do que vivemos em Svaneti, e é exatamente esse contraste que faz a Geórgia ser tão surpreendente. Passamos seis dias por lá, hospedados em uma casa de família no estilo boutique: Hillside Inn, com o conforto de um hotel somado ao bônus de um contato próximo com a cultura local.





Se você acha que a Geórgia já mostrou todas as suas facetas, calma. Uma van (10 lari, 2h) e um transfer 4×4 que mais parecia um rali (15 lari) depois, chegamos a Khulo, para uma experiência de glamping, o Tago, que nem parece acampamento — é mais confortável que muita pousada por aí.


A alimentação é toda vegetariana: café e jantar em formato buffet (35 lari) e almoço à la carte. Como o lugar é remoto, não há mercado por perto — leve sua própria garrafa de vinho (é permitido, e ninguém vai reclamar).
Tem aula de yoga, sauna, slackline e fogueira à noite, mas confesso: as melhores lembranças foram dos momentos sem programação nenhuma, só admirando a paisagem.
Última parada: a capital, Tbilisi, onde ficamos mais de 10 dias ao longo da viagem, em dois momentos diferentes. É uma cidade que resume bem o espírito do país — igrejas, prédios modernos, casas com varandas de madeira, bares, restaurantes e águas termais convivendo lado a lado, muitas vezes na mesma esquina.

Testamos duas hospedagens do grupo Margot: a clássica Old Tbilisi, com quarto de ares de realeza, e a mais contemporânea Sololaki, construída em meio a rochas, com piscina e bar no rooftop.




Bônus imperdível: um bate-volta até Kakheti, a região vinícola do país. Além de degustar vários rótulos, acompanhamos a produção do doce tradicional georgiano e aprendemos sobre o método local de vinificação, em que os vinhos fermentam dentro de qvevris — recipientes de barro em formato de ânfora gigante, enterrados no solo.

Sim — e talvez mais do que qualquer outro destino que já visitamos na Europa. Em poucos dias, é possível viver experiências que parecem pertencer a países completamente diferentes: as montanhas selvagens de Svaneti, o litoral moderno de Batumi, os vilarejos que parecem ter parado no tempo e as ruas cheias de vida de Tbilisi.
A Geórgia ainda é um dos destinos mais subestimados do continente — e talvez seja justamente por isso que valha tanto a pena ir agora, antes que todo mundo descubra.
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